O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, o conselheiro Sérgio Ricardo, voltou a criticar o andamento das obras do BRT em Cuiabá e classificou o cenário atual como de desorganização e incerteza. A declaração ocorreu ao comentar o monitoramento feito pela corte de contas sobre o empreendimento, em meio ao aumento das queixas da população por alagamentos, interdições viárias e transtornos intensificados pelas chuvas recentes.
Segundo o conselheiro, o volume de precipitação registrado nas últimas semanas “quebrou todas as expectativas”, afetando diretamente o avanço das frentes de trabalho, sobretudo nos trechos da Prainha e do Porto — dois dos corredores mais sensíveis da intervenção por concentrarem obras estruturais profundas e grande fluxo urbano. Ele relatou a existência de equipamentos parados e canteiros tomados pela água, situação que, na avaliação técnica preliminar, tornou o cronograma impraticável no momento.
“Então, começou mal porque começou sempre sem projeto a o BRT, né?. Houve todo aquele atraso e agora está uma situação de caos total, né?. E não há previsão, ninguém consegue fazer uma previsão”, afirmou.
Sérgio Ricardo também atribuiu parte das dificuldades à ausência de planejamento prévio adequado. “O governo não se preparou, tanto que, para o início das obras do BRT não havia um projeto", declarou.
Na análise do presidente do TCE, o entrave vai além do impacto climático. Para ele, faltou preparação para um cenário considerado previsível em Mato Grosso, onde o período chuvoso — normalmente concentrado entre outubro e abril — exige planejamento logístico específico em obras viárias de grande porte, como drenagem provisória reforçada, escalonamento de frentes e proteção de escavações.
O conselheiro destacou que o tribunal mantém acompanhamento contínuo do empreendimento, que substituiu o antigo projeto do VLT e é uma das principais obras de mobilidade urbana da região metropolitana. Ainda assim, ponderou que o quadro atual impede qualquer estimativa segura de avanço físico.
Ele alertou que a persistência das chuvas pode ampliar o ritmo de paralisações nas próximas semanas, especialmente com a chegada de março, mês historicamente marcado por altos índices pluviométricos na capital mato-grossense, o que tende a pressionar ainda mais o cronograma e os custos da intervenção.
Entre no grupo do MT EM PONTO no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)










