O 4º Fórum Nacional do Turismo de Pesca, realizado nesta quinta-feira (12) durante a abertura da Pesca Trade Show 2026, reuniu representantes de governos estaduais, empresários, operadores turísticos e especialistas para debater estratégias de fortalecimento da pesca esportiva no país e ampliar a atração de pescadores estrangeiros para destinos brasileiros.
O encontro destacou o potencial econômico do segmento e a necessidade de organização institucional para posicionar o Brasil no mercado internacional, onde países como Estados Unidos, Canadá e nações europeias concentram grande parte dos praticantes.
Grupo de trabalho nacional
Entre os principais encaminhamentos do fórum está a criação de um grupo de trabalho interestadual com participação de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Tocantins, Amazonas, São Paulo e Roraima, além de órgãos federais como o Ministério do Turismo, o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Embratur.
A proposta é desenvolver ações coordenadas para promover o Brasil como destino de pesca esportiva, estruturar produtos turísticos e produzir dados estatísticos confiáveis sobre o setor — hoje considerados insuficientes por especialistas.
Falta de dados consolidados
Durante o evento, o presidente da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva, Marcos Glueck, ressaltou que a ausência de informações sistematizadas dificulta a elaboração de políticas públicas e investimentos estratégicos.
“(Um dos objetivos do nosso grupo de trabalho é justamente buscar esses números. São dados importantes para mostrar o tamanho do setor e principalmente o impacto na geração de emprego e renda em comunidades que muitas vezes não têm outras atividades econômicas)”, afirmou Glueck, que também atua no setor privado como empresário de turismo de pesca.
Segundo especialistas, a pesca esportiva pode gerar renda significativa em regiões remotas, especialmente na Amazônia e no Pantanal, ao movimentar cadeias produtivas que incluem hospedagem, transporte fluvial e aéreo, guias especializados, alimentação e comércio local.
Mercado global bilionário
Estudos apresentados no fórum apontam que o turismo de pesca movimentou aproximadamente US$ 72 bilhões no mundo em 2023 e pode ultrapassar US$ 200 bilhões nos próximos anos, impulsionado pelo crescimento do turismo de natureza e experiências ao ar livre.
Na Europa, por exemplo, estima-se que existam cerca de 25 milhões de pescadores esportivos, número muito superior ao registrado no Brasil. O perfil desse turista também é considerado altamente atrativo do ponto de vista econômico.
Pescadores europeus dedicam, em média, cerca de 18 dias por ano à atividade, permanecem aproximadamente dez noites em viagens específicas de pesca e gastam cerca de 36% mais do que turistas convencionais. Além da atividade principal, grande parte busca experiências complementares.
“(Estamos estudando os mercados europeu e americano para entender quem é esse pescador, o que ele procura e como podemos desenvolver políticas públicas e produtos turísticos para trazer esse mercado para o Brasil)”, explicou Glueck.
Segundo levantamentos apresentados, cerca de 75% desses visitantes também demonstram interesse por gastronomia regional, ecoturismo, patrimônio cultural e contato com comunidades tradicionais.
Potencial de Mato Grosso
A secretária adjunta de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Maria Letícia Arruda, destacou que Mato Grosso reúne condições naturais favoráveis ao desenvolvimento do segmento, com acesso relativamente rápido a importantes biomas brasileiros.
Entre eles estão o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia, regiões reconhecidas pela biodiversidade aquática e pela presença de espécies valorizadas na pesca esportiva, como o tucunaré e o dourado.
Segundo a gestora, o estado tem adotado políticas voltadas à conservação dos recursos pesqueiros e à qualificação do turismo, incluindo a chamada lei do “transporte zero” para determinadas espécies nativas — medida que restringe o transporte de pescado e incentiva a prática do “pesque e solte”.
Também foram citados programas de capacitação de guias e condutores de pesca esportiva, além da realização de inventários turísticos para mapear atrativos, infraestrutura e necessidades de investimento.
“(A pesca esportiva é um segmento muito organizado e unido. Com políticas públicas, parceria com o setor privado e participação em eventos como este, conseguimos mostrar o potencial de Mato Grosso e ampliar a atração de turistas para o estado)”, afirmou.
Sustentabilidade e desenvolvimento local
O fórum também enfatizou que a pesca esportiva, quando bem regulamentada, pode contribuir para a conservação ambiental. A atividade geralmente adota práticas de baixo impacto, como captura e soltura dos peixes, monitoramento de estoques e limites de temporada.
Além disso, especialistas apontam que o turismo de pesca pode gerar alternativas econômicas sustentáveis para comunidades ribeirinhas e regiões com poucas oportunidades produtivas, fortalecendo cadeias ligadas ao ecoturismo, à gastronomia regional e ao turismo cultural.
Nesse contexto, o Brasil é visto como um destino com enorme potencial ainda pouco explorado internacionalmente, sobretudo pela extensão de seus rios, diversidade de espécies e presença de biomas únicos no planeta.
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