Durante uma entrevista coletiva convocada por parlamentares da oposição na noite dessa terça-feira (22), um gesto simbólico quase ofuscou o foco principal: o deputado Delegado Caveira (PL-PA) exibiu uma bandeira de Donald Trump, causando constrangimento entre os próprios aliados do PL. A bandeira, associada à direita norte-americana e ao presidente norte-americano Donald Trump, foi prontamente escondida por orientação de outros parlamentares do PL.
O episódio aconteceu enquanto o senador Wellington Fagundes (PL-MT) discursava sobre as recentes medidas econômicas que vêm gerando tensão entre governo e oposição. Antes dele, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a oposição está sendo “amordaçada” e classificou como “ilegal” o cancelamento das sessões das comissões durante o recesso parlamentar.
A bandeira de Trump permaneceu visível por poucos segundos, mas foi suficiente para gerar incômodo. O deputado Domingos Sávio (PL-MG), ligado ao setor de comércio e serviços, foi um dos que pediu diretamente que Caveira a guardasse, temendo repercussões negativas ou desvio do foco da coletiva.
Questionado sobre o motivo de esconder o símbolo norte-americano, o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que coordenava a entrevista, respondeu de forma direta:
“Não era o local apropriado. O tema da coletiva era o cerceamento da oposição no parlamento brasileiro.”
A entrevista teve como pano de fundo as tensões provocadas pelo chamado “tarifaço” dos EUA contra o Brasil. A oposição culpa o presidente Lula pela crise comercial, enquanto o governo tenta vincular as sanções à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de pressionar diplomatas estadunidenses para causar sanções ao Brasil em defesa de seu pai. Segundo a base governista, a sobretaxa seria uma “chantagem velada” por parte da ala bolsonarista, que estaria condicionando a resolução do impasse à absolvição de Jair Bolsonaro na Justiça Eleitoral.
Outro aspecto curioso da reunião foi à relativa ausência de ataques diretos ao STF e à esquerda, comuns nesse tipo de pronunciamento. Segundo o deputado Sanderson (PL-RS), a intenção era “abraçar Bolsonaro” diante das recentes restrições à sua participação em eventos e entrevistas dentro do Congresso. O ex-presidente, aliás, chegaria a comparecer ao evento, mas cancelou após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vetar a realização de comissões durante o recesso parlamentar.
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