O produtor rural Silvano dos Santos procurou a Polícia Civil de Mato Grosso para denunciar um suposto esquema que, segundo ele, resultou em prejuízos milionários durante negociações envolvendo a comercialização de soja na safra de 2025. O caso foi registrado como estelionato e será apurado pela Delegacia de Polícia de Vila Bela da Santíssima Trindade (523 km de Cuiabá).
De acordo com o boletim de ocorrência, Silvano afirmou que foi procurado por um corretor de grãos que se apresentou como representante das empresas Imaculada Agronegócios Ltda e Santa Felicidade Agro Indústria Ltda vinculadas Pedro Henrique Cardoso, Mário Sergio Cometki Assis e Sergio Pereira Assis, ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul. Durante as tratativas, os envolvidos teriam assegurado possuir robustez financeira, lastro patrimonial e capacidade operacional para honrar os compromissos assumidos, inclusive com garantias pessoais em caso de inadimplemento.
Inicialmente, as negociações envolveram operações menores, que foram pagas regularmente, o que consolidou a confiança entre as partes. Posteriormente, o produtor passou a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, sob promessa de pagamento integral nas datas ajustadas. Segundo o boletim, os compromissos assumidos ultrapassaram R$ 70 milhões.
Até novembro de 2025, os pagamentos teriam ocorrido normalmente. No entanto, a partir de dezembro, quando parcelas de maior valor venceram, os pagamentos teriam sido interrompidos de forma abrupta, gerando inadimplência generalizada e deixando o produtor responsável por dívidas assumidas perante diversos outros produtores.
Ainda conforme a ocorrência, parte significativa dos grãos foi revendida por valores inferiores aos de aquisição, ampliando os prejuízos.
O produtor também relatou a venda de uma aeronave ao grupo pelo valor de R$ 5.817.660,00, tendo recebido apenas parte do montante, restando saldo em aberto. Além disso, afirmou ter contraído empréstimos milionários junto a instituições financeiras para honrar compromissos com terceiros.
Venda de avião
Outro ponto relatado por Silvano à Polícia Civil envolve a venda da aeronave ao grupo empresarial ligado às empresas Imaculada Agronegócios Ltda e Santa Felicidade Agro Indústria Ltda. Segundo o boletim, o negócio foi fechado pelo valor de R$ 5.817.660,00. No entanto, o produtor afirma ter recebido apenas R$ 2.071.563,03, permanecendo um saldo significativo em aberto desde janeiro de 2026.
Segundo o registro, a negociação da aeronave ocorreu no período em que os pagamentos das operações com grãos ainda estavam sendo realizados regularmente, o que teria reforçado a confiança do produtor na capacidade financeira do grupo. Posteriormente, com a interrupção dos pagamentos, o valor remanescente da venda do avião também teria deixado de ser quitado, aumentando o prejuízo.
Como garantia, teria sido indicado um imóvel registrado em Cuiabá, posteriormente identificado como objeto de controvérsia judicial. O comunicante também relatou que tomou conhecimento, por meio de ex-funcionários, de que o grupo não possuiria lastro financeiro suficiente para cumprir as obrigações assumidas.
Silvano declarou ter sofrido severos prejuízos financeiros e abalo reputacional, afirmando ter vendido bens próprios para honrar dívidas contraídas em seu nome. Ele solicitou a instauração de inquérito policial para apuração detalhada dos fatos, identificação de possíveis outras vítimas e responsabilização dos envolvidos.
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