Cuiabá, 26 de Fevereiro de 2026

icon facebook icon instagram icon twitter icon whatsapp

Polícia Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 08:53 - A | A

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 08h:53 - A | A

TARTURFO

Operação mira facção que agia na entrada clandestina de celulares em unidades prisionais

Da Redação com assessoria

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (26), a Operação Tartufo para cumprir mandados judiciais contra integrantes de uma facção criminosa investigada por comércio ilegal de armas de fogo e introdução clandestina de celulares em unidades prisionais do Estado.

A ofensiva é resultado de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que embasou a expedição de oito medidas cautelares pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) da Comarca de Cuiabá. Ao todo, foram cumpridas três prisões preventivas e cinco mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços localizados nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

Investigação

As diligências da Denarc tiveram início em 2023. Segundo a polícia, o trabalho combinou análise de inteligência, monitoramento de campo e técnicas forenses para mapear uma estrutura criminosa com divisão clara de funções entre os integrantes, atuando tanto fora quanto dentro do sistema penitenciário.

O principal alvo foi apontado como responsável pela coordenação do grupo, incluindo a negociação e distribuição ilegal de armamentos — entre eles pistolas e espingardas — e pela logística de envio de celulares para a Penitenciária Central do Estado.

Outro investigado exerceria a função de transporte e ocultação dos aparelhos eletrônicos. Já o terceiro alvo, mesmo preso, é suspeito de manter papel de liderança dentro da unidade prisional, sendo apontado como integrante de facção criminosa com influência sobre detentos.

Uso de drone

A investigação identificou ainda o uso de um drone sem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O equipamento, segundo a polícia, possuía um dispositivo de garra e acumulava 67 registros de voo.

Diversas dessas operações teriam ocorrido sobre a Penitenciária Central do Estado e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em horários que coincidem com apreensões de materiais ilícitos nas unidades — indício que reforçou a suspeita de abastecimento aéreo de celulares.

De acordo com o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pelo caso, a operação é fruto de mais de dois anos de apuração técnica e uso intensivo de análise de dados.

“As diligências prosseguem com o objetivo de identificar outros integrantes da organização, aprofundar a investigação sobre o fluxo de armas e recursos financeiros do grupo e mapear eventuais conexões com outras redes criminosas”, afirmou o delegado.

Alvos dos mandados judiciais

As cinco buscas domiciliares ocorreram em imóveis ligados aos investigados — quatro residências e um galpão comercial — em Cuiabá e Várzea Grande.

As três prisões preventivas foram decretadas pela Justiça com base na garantia da ordem pública e na necessidade de preservar a instrução criminal. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente ao deferimento integral das medidas.

A operação contou com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE).

Crimes investigados

Os alvos respondem, em tese, pelos crimes de comércio ilegal de arma de fogo (art. 17 da Lei nº 10.826/2003), introdução clandestina de aparelho telefônico em estabelecimento prisional (art. 349-A do Código Penal) e integração à organização criminosa (art. 2º da Lei nº 12.850/2013).

Nome da operação

“Tartufo”, em italiano, significa literalmente “aquilo que está escondido sob a terra”. O nome foi escolhido pela polícia por refletir o modus operandi atribuído ao grupo, que, segundo as investigações, atuava de forma discreta, com uso de linguagem codificada, veículos com compartimentos ocultos e operações de drone em período noturno para evitar detecção.

Entre no grupo do MT EM PONTO no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)

Comente esta notícia

Rua Mirassol (LOT CONSIL), nº 14, QD 14, LT 14.

Cuiabá/MT

(65) 99947-8652

[email protected]