A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou, nesta segunda-feira (9), dois médicos suspeitos de envolvimento na morte da empresária e professora Jéssica Santiago Souza, de 33 anos, ocorrida durante procedimentos estéticos realizados em Tangará da Serra. Os profissionais foram indiciados por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — após a conclusão do inquérito policial que apurou as circunstâncias da morte.
O caso aconteceu no dia 17 de fevereiro deste ano, quando Jéssica se submetia a uma cirurgia que incluía cruroplastia — procedimento estético voltado à retirada de excesso de pele nas coxas — e lipoescultura, técnica utilizada para remodelar o contorno corporal por meio da retirada e redistribuição de gordura. As intervenções eram realizadas sob anestesia geral em uma unidade hospitalar do município. Os nomes dos médicos investigados não foram divulgados pela polícia.
Complicação durante a cirurgia
Segundo o relatório final da investigação, durante o procedimento a paciente apresentou um quadro de instabilidade hemodinâmica, condição caracterizada por alterações graves no funcionamento do sistema cardiovascular, que comprometem a circulação sanguínea e a oxigenação adequada dos órgãos.
A situação evoluiu para uma parada cardiorrespiratória, o que levou a equipe médica a iniciar imediatamente manobras de reanimação cardiopulmonar. Apesar das tentativas de estabilização, Jéssica não resistiu e morreu ainda durante o procedimento.
Em depoimento prestado à polícia, os médicos negaram qualquer falha técnica na cirurgia. Eles sustentaram que a lesão identificada no corpo da paciente poderia ter sido causada pela pressão aplicada no tórax durante as manobras de reanimação realizadas após a parada cardiorrespiratória.
Resultado da perícia
No entanto, laudos do exame necroscópico e de perícias complementares apontaram que a causa da morte foi um pneumotórax bilateral — condição caracterizada pela presença de ar na cavidade torácica, que provoca colapso dos pulmões e impede a respiração adequada.
De acordo com os peritos, o pneumotórax foi provocado por uma perfuração na parede torácica posterior. A análise técnica indicou que a lesão é compatível com a introdução de instrumento cirúrgico durante o procedimento estético, o que fundamentou o indiciamento dos profissionais por homicídio culposo.
A ocorrência foi registrada pelo marido da vítima no mesmo dia da cirurgia, o que deu início às investigações conduzidas pela polícia.
Encaminhamento ao Ministério Público
Com a conclusão do inquérito policial, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, que agora irá analisar as provas reunidas pela investigação. Caberá ao órgão decidir se apresenta denúncia à Justiça ou se solicita novas diligências para aprofundar a apuração.
Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, os médicos passarão à condição de réus e responderão judicialmente pelas acusações.
Família contesta condições da morte
Na semana passada, a filha da empresária, Yasmin Souza Menezes, afirmou publicamente que a mãe não possuía problemas de saúde que pudessem contraindicar a cirurgia.
Segundo ela, Jéssica morava em Pontes e Lacerda, onde era proprietária de uma loja de roupas, e havia realizado diversos exames pré-operatórios antes de decidir pelo procedimento estético.
“Se tivesse algo impedindo de realizar a cirurgia, ela não teria feito. Ela cuidou muito bem da saúde para poder passar por essa cirurgia”, disse.
O caso reacendeu discussões sobre segurança em procedimentos estéticos e a importância de protocolos rigorosos de avaliação pré-operatória, além de infraestrutura hospitalar adequada para lidar com eventuais complicações cirúrgicas.
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