Cuiabá, 25 de Fevereiro de 2026

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Polícia Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026, 10:22 - A | A

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026, 10h:22 - A | A

SAFRA DESVIADA

Gaeco faz operação em MT e outros quatro estados e apura desvio de R$ 140 milhões em grãos

Da Redação

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Safra Desviada. A ofensiva cumpre 180 medidas cautelares autorizadas pela Justiça em investigação que apura o desvio de grãos e prejuízos estimados em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do setor do agronegócio.

As diligências ocorrem simultaneamente em cinco estados — Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão — evidenciando a dimensão interestadual do suposto esquema. Em Mato Grosso, as ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte e Campo Verde — municípios estratégicos para a produção e logística de grãos no estado.

A investigação apura suspeitas de formação de organização criminosa, furto qualificado, estelionato contra idoso, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Conforme o Ministério Público, o esquema envolveria desvio sistemático de cargas de soja, milho e algodão, além de manipulação de registros internos, movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados e uso de empresas para dissimular valores.

Entre as medidas cumpridas estão 80 mandados de busca e apreensão em residências, fazendas, empresas e outros imóveis ligados aos investigados. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias de 56 alvos, com valores que ultrapassam R$ 140 milhões, além do sequestro de mais de 70 veículos — entre caminhões, carretas e automóveis — possivelmente utilizados na logística do esquema.

Outra frente da operação inclui a indisponibilidade de imóveis pertencentes a 20 pessoas físicas e jurídicas e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de mais de 45 investigados, medida comum em investigações financeiras complexas para rastreamento do fluxo de recursos.

Também foi autorizada a extração de dados de celulares, computadores, mídias externas e informações armazenadas em nuvem. A decisão judicial inclui ainda o bloqueio de contas de investigados em plataformas de apostas, diante de indícios de que esses serviços teriam sido utilizados para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

Segundo o Ministério Público, as medidas têm como objetivo preservar provas, interromper a continuidade das práticas criminosas, evitar a dissipação patrimonial e viabilizar eventual ressarcimento dos prejuízos. As decisões judiciais apontam indícios de um esquema estruturado em núcleos operacionais e financeiros, com uso de manipulação contábil, empresas de fachada e transações consideradas atípicas pelos órgãos de controle.

A operação mobiliza mais de 180 policiais militares de Mato Grosso, cerca de 50 integrantes do Gaeco e 12 policiais civis de Sorriso, além do apoio de forças de segurança estaduais e dos Gaecos do Paraná, Maranhão, Pernambuco e São Paulo, em uma das maiores ofensivas recentes contra crimes patrimoniais ligados ao agronegócio no estado.

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