Cuiabá, 06 de Fevereiro de 2026

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Polícia Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026, 08:49 - A | A

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ESTUPRO EM SORRISO

Colegas de cela declaram que vítima retornava "visivelmente abalada" após saídas a mando de investigador

Segundo a PJC, o comportamento da vítima, descrito pelas testemunhas, é frequentemente observado em vítimas de crimes sexuais

Rdnews

Duas colegas de cela de uma mulher vítima de estupro, ocorrido na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso (a 397 km de Cuiabá), - cujo principal suspeito é o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos - relataram que a vítima sempre retornava à cela “em estado emocional visivelmente abalado e chorosa”.

A primeira testemunha detalhou a situação em que a mulher ficava após as saídas da cela, que não será exposta nesta reportagem, em respeito à vítima. Além disso, a colega de cela relatou que a vítima revelou a ela, de forma direta, que foi  “abusada” na delegacia de Sorriso, enquanto ambas estavam sendo transportadas para o presídio.

Após o primeiro relato, que consta no inquérito da Polícia Civil, os investigadores apontaram que o comportamento descrito pelas testemunhas é “frequentemente observado em vítimas de crimes sexuais após a prática de violação sexual, circunstância que reforça a verossimilhança do relato e a ocorrência dos fatos narrados”.   

A segunda testemunha também detalhou a situação em que a colega retornava das saídas da cela, detalhando que, em uma das ocasiões, a vítima permaneceu fora por aproximadamente 30 minutos. 

O caso

Manoel Batista foi preso na manhã de domingo (1º), em sua residência, no bairro Jardim Aurora. A prisão ocorreu após denúncia da própria vítima, alegando ter sofrido os abusos sexuais dos dias 9 a 11 de dezembro, período em que ficou detida na delegacia. 

Conforme publicado pelo , o advogado de defesa da vítima, Walter Rapuano, afirmou que Manoel Batista estuprou sua cliente quatro vezes em um intervalo de aproximadamente 12 horas. 

O jurista detalhou que a vítima foi presa durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária no dia 8 de dezembro. No dia 9, por volta das 16h, ela passou pela audiência de custódia, onde teve a prisão mantida.

Em seguida, a vítima foi levada por Manoel até a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) onde realizou o exame de corpo de delito. Segundo Walter, o primeiro abuso teria ocorrido logo na sequência, ao voltar para a delegacia.

Ainda segundo o advogado, o segundo estupro ocorreu algumas horas depois. O terceiro abuso teria sido cometido durante a madrugada e o quarto, ao amanhecer.

Ainda conforme a defesa, todos os estupros aconteceram com o mesmo modus operandi: o investigador retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia da delegacia. Além disso, teria proferido ameaças à mulher para que ela ficasse calada, se não, mataria a filha da mulher.

Na manhã do dia 10, na troca de turno, a vítima foi transferida da delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis, onde permaneceu presa até a noite do dia 11. Neste meio tempo, a defesa havia apresentado provas da inocência da vítima e conseguiu a soltura dela.

Na mesma noite, logo após ser solta, a mulher informou ao advogado sobre os estupros sofridos. 

A vítima passou então por um novo exame de corpo de delito e, conforme a defesa, na saída, o médico adiantou que ainda havia vestígios de esperma na mulher.

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