Duas colegas de cela de uma mulher vítima de estupro, ocorrido na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso (a 397 km de Cuiabá), - cujo principal suspeito é o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos - relataram que a vítima sempre retornava à cela “em estado emocional visivelmente abalado e chorosa”.
A primeira testemunha detalhou a situação em que a mulher ficava após as saídas da cela, que não será exposta nesta reportagem, em respeito à vítima. Além disso, a colega de cela relatou que a vítima revelou a ela, de forma direta, que foi “abusada” na delegacia de Sorriso, enquanto ambas estavam sendo transportadas para o presídio.
Após o primeiro relato, que consta no inquérito da Polícia Civil, os investigadores apontaram que o comportamento descrito pelas testemunhas é “frequentemente observado em vítimas de crimes sexuais após a prática de violação sexual, circunstância que reforça a verossimilhança do relato e a ocorrência dos fatos narrados”.
A segunda testemunha também detalhou a situação em que a colega retornava das saídas da cela, detalhando que, em uma das ocasiões, a vítima permaneceu fora por aproximadamente 30 minutos.
O caso
Manoel Batista foi preso na manhã de domingo (1º), em sua residência, no bairro Jardim Aurora. A prisão ocorreu após denúncia da própria vítima, alegando ter sofrido os abusos sexuais dos dias 9 a 11 de dezembro, período em que ficou detida na delegacia.
Conforme publicado pelo
, o advogado de defesa da vítima, Walter Rapuano, afirmou que Manoel Batista estuprou sua cliente quatro vezes em um intervalo de aproximadamente 12 horas.
O jurista detalhou que a vítima foi presa durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária no dia 8 de dezembro. No dia 9, por volta das 16h, ela passou pela audiência de custódia, onde teve a prisão mantida.
Em seguida, a vítima foi levada por Manoel até a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) onde realizou o exame de corpo de delito. Segundo Walter, o primeiro abuso teria ocorrido logo na sequência, ao voltar para a delegacia.
Ainda segundo o advogado, o segundo estupro ocorreu algumas horas depois. O terceiro abuso teria sido cometido durante a madrugada e o quarto, ao amanhecer.
Ainda conforme a defesa, todos os estupros aconteceram com o mesmo modus operandi: o investigador retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia da delegacia. Além disso, teria proferido ameaças à mulher para que ela ficasse calada, se não, mataria a filha da mulher.
Na manhã do dia 10, na troca de turno, a vítima foi transferida da delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis, onde permaneceu presa até a noite do dia 11. Neste meio tempo, a defesa havia apresentado provas da inocência da vítima e conseguiu a soltura dela.
Na mesma noite, logo após ser solta, a mulher informou ao advogado sobre os estupros sofridos.
A vítima passou então por um novo exame de corpo de delito e, conforme a defesa, na saída, o médico adiantou que ainda havia vestígios de esperma na mulher.
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