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Polícia Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2023, 09:04 - A | A

Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2023, 09h:04 - A | A

Feminicídio

80% das vítimas de feminicídio em MT não tinham medida protetiva contra agressor, diz delegada

Somente metade das mulheres que sofreram agressões registraram boletins de ocorrência.

Por Letícia Paris, TV Centro América

Mato Grosso registrou 45 feminicídios do início de 2023 até dezembro. De acordo com a Polícia Civil, 80% das vítimas não tinham medidas protetivas contra os agressores e somente metade das mulheres que sofreram agressões registraram boletins de ocorrência.

A medida protetiva tem a função de proteger a vítima de uma situação de risco. Segundo a delegada titular da Delegacia da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, a medida protetiva é apenas uma forma de proteção para as mulheres.

“É importante que as mulheres entendam que essas medidas são para protegê-las, ou seja, esse agressor é comunicado que não pode se aproximar, tem o botão do pânico, a lei Maria da Penha, existe a possibilidade desse agressor ser preso em flagrante caso descumpra as medidas”, disse.

Com o passar dos anos, a rede de apoio às mulheres tem se fortalecido para tentar diminuir as estatísticas.

Como classificar feminicídio?

A Lei do Feminicídio, o criada em 2015, define como feminicídio o assassinato de uma mulher cometido por "razões da condição de sexo feminino". A pena prevista nesses casos é de 12 a 30 anos de reclusão.

Para o assassinato de uma mulher ser considerado feminicídio, é identificado em contexto marcado pela desigualdade de gênero. Em muitos casos, as vítimas estavam passando pelo ciclo da violência doméstica, como violência física, psicológica e financeira.

Casos recentes 

Reprodução

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Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni, de 48 anos, foi encontrada morta dentro do próprio carro em Cuiabá

 

Em agosto deste ano, o assassinato da advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni, de 48 anos, foi um dos casos de feminicídio que chocou a população do estado.

Cristiane foi encontrada morta espancada e asfixiada dentro do próprio carro no Parque das Águas, em Cuiabá, no dia 13 de agosto. O irmão dela localizou o veículo por um aplicativo que rastreou o celular dela. Ela havia passado a noite junto com o suspeito, Almir Monteiro dos Reis, de 49 anos, ex-policial militar, que foi autuado em flagrante por feminicídio. Os dois se conheceram no dia do crime.

No dia 24 de novembro, uma mãe e três filhas foram encontradas mortas dentro de uma casa, no Bairro Florais da Mata, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. As vítimas, segundo a Polícia Civil, foram identificadas como Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, Miliane Calvi Cardoso, de 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, 13 anos, e Melissa Calvi Cardoso, de 10 anos.

Segundo a polícia, as quatro vítimas foram encontradas degoladas e com sinais de abuso sexual. Três delas estavam nuas. 

Foto: Instagram

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Foto da família publicada nas redes sociais em um passeio na praia, publicada em 2018

 

Formas de pedir ajuda

Há o atendimento e acolhimento a mulheres nas unidades especializadas instaladas em oito cidades-pólo do estado e núcleos em delegacias do interior. Um botão do pânico também pode ser acionado com o aplicativo SOS Mulher.

O sistema reúne a solicitação de medidas protetivas online, botão do pânico virtual para auxiliar e apoiar vítimas de violência doméstica. O aplicativo permite acesso a outras funcionalidades, como telefones de emergência, denúncias e a Delegacia Virtual.

Pelo site, a vítima também pode solicitar a medida protetiva de urgência online, sem a necessidade de se deslocar até uma delegacia.

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